Entenda os sinais de alerta, a importância do acompanhamento especializado e como a fisioterapia pélvica transforma o desfralde em um processo leve e sem traumas.
Dra. Marieli Graciano (Inticlin), auxiliando famílias no desfralde saudável e lúdico de forma consciente. O processo de desfralde é um dos marcos mais importantes do desenvolvimento infantil, mas também um dos que mais gera ansiedade, dúvidas e aflições nas famílias. Afinal, até quando os escapes são normais? Quando a dificuldade de ir ao banheiro sinaliza algo mais sério?
Para esclarecer essas questões, conversamos com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano, proprietária da clínica Inticlin (com unidades em Criciúma e Tubarão). Especialista no assunto, ela explica como a fisioterapia pélvica "kids" pode ser a chave para um desenvolvimento saudável e sem traumas.
O papel da fisioterapia pélvica na infância
Muitos pais se surpreendem ao saber que crianças também precisam de fisioterapia pélvica. Segundo Marieli, o objetivo é garantir que os pequenos desenvolvam o controle consciente de suas funções íntimas.
"A fisioterapia infantil faz com que a criança tenha funcionalidade de maneira consciente, para que ela não sofra com escapes ou consequências negativas nos ambientes onde convive, como a escola e a família", explica a especialista.
A transição: da fralda ao vaso sanitário
A fralda é, tecnicamente, o "primeiro banheiro" do ser humano. Ela é confortável, quentinha e está sempre ali. O desafio do desfralde é mudar um comando cerebral já estabelecido.
A Marieli destaca que é preciso respeitar o tempo de maturação de cada criança — que envolve desde a firmeza para sentar e caminhar até a capacidade de comunicação e dicção. O marco de alerta, geralmente, são os 5 anos de idade. Se, após essa idade, o controle não se estabeleceu, é hora de investigar.
Sinais de alerta para os pais:
• Medo do vaso: a criança resiste ou chora ao ser colocada no sanitário.
• A "dancinha do xixi": quando a criança segura a urina excessivamente para não parar de brincar.
• Esconder-se para evacuar: procurar cantos da casa ou atrás de cortinas para fazer o cocô.
• Enurese noturna: o famoso "xixi na cama" após os 5 anos, que muitas vezes tem fundo genético e não deve ser punido.
Problemas de saúde ocultos: enurese e constipação
A Marieli faz um apelo importante: nunca castigue a criança por escapes. Castigos e ameaças geram traumas que podem perdurar até a adolescência.
Muitas vezes, o que parece "manha" é um problema clínico, como:
• Bexiga hiperativa: quando a bexiga "vence" a musculatura e o xixi escapa sem que a criança sinta.
• Incontinência por transbordamento: a criança está tão constipada (com um fecaloma) que apenas um líquido escapa, parecendo diarreia, quando na verdade é um grande bloqueio de fezes.
• Infecções de repetição: o resíduo de urina que não sai totalmente pode subir para os rins e causar infecções graves.
A "escolinha do xixi e do cocô": o tratamento lúdico
Na clínica Inticlin, o tratamento é feito através do brincar. A Dra. Marieli, carinhosamente chamada de "Tia Mari", utiliza uma abordagem pedagógica e amorosa:
1. Ludicidade: uso de massinhas para mostrar como o cocô sai, bolhas de sabão para ajudar no relaxamento anorretal e desenhos para explicar o caminho dos órgãos.
2. Tecnologia: uso de biofeedback, eletroestimulação e neuromodulação para treinar os músculos de forma indolor.
3. Adaptação do ambiente: orientações para que o banheiro de casa seja convidativo e seguro (assentos firmes, apoios para os pés e ambiente iluminado).
"O vaso sanitário precisa conquistar a criança, pois o que ela mais gosta é da fralda. Precisamos mostrar que o banheiro é um lugar de autonomia e não de medo", pontua Marieli.
Dica de ouro para os pais
Se o seu filho está retendo o cocô, tente brincadeiras que envolvam soprar (apitos, bolhas, cantar). Isso ajuda a relaxar a musculatura pélvica e facilita a evacuação de forma natural.
Quer saber mais? Clique no link abaixo e assista à entrevista na íntegra realizada com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano.