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Família

Desfralde e saúde pélvica infantil: quando "xixi e o cocô" deixam de ser fase e viram problema?

Entenda os sinais de alerta, a importância do acompanhamento especializado e como a fisioterapia pélvica transforma o desfralde em um processo leve e sem traumas.

Tubarão-SC, 27/02/2026 11h57 | Por: Jornalista Francine Germano de Andrade | Fonte: fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano
Dra. Marieli Graciano (Inticlin), auxiliando famílias no desfralde saudável e lúdico de forma consciente.

O processo de desfralde é um dos marcos mais importantes do desenvolvimento infantil, mas também um dos que mais gera ansiedade, dúvidas e aflições nas famílias. Afinal, até quando os escapes são normais? Quando a dificuldade de ir ao banheiro sinaliza algo mais sério?

Para esclarecer essas questões, conversamos com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano, proprietária da clínica Inticlin (com unidades em Criciúma e Tubarão). Especialista no assunto, ela explica como a fisioterapia pélvica "kids" pode ser a chave para um desenvolvimento saudável e sem traumas.

O papel da fisioterapia pélvica na infância

Muitos pais se surpreendem ao saber que crianças também precisam de fisioterapia pélvica. Segundo Marieli, o objetivo é garantir que os pequenos desenvolvam o controle consciente de suas funções íntimas.

"A fisioterapia infantil faz com que a criança tenha funcionalidade de maneira consciente, para que ela não sofra com escapes ou consequências negativas nos ambientes onde convive, como a escola e a família", explica a especialista.

A transição: da fralda ao vaso sanitário

A fralda é, tecnicamente, o "primeiro banheiro" do ser humano. Ela é confortável, quentinha e está sempre ali. O desafio do desfralde é mudar um comando cerebral já estabelecido.

A Marieli destaca que é preciso respeitar o tempo de maturação de cada criança — que envolve desde a firmeza para sentar e caminhar até a capacidade de comunicação e dicção. O marco de alerta, geralmente, são os 5 anos de idade. Se, após essa idade, o controle não se estabeleceu, é hora de investigar.

Sinais de alerta para os pais:

Medo do vaso: a criança resiste ou chora ao ser colocada no sanitário.

A "dancinha do xixi": quando a criança segura a urina excessivamente para não parar de brincar.

Esconder-se para evacuar: procurar cantos da casa ou atrás de cortinas para fazer o cocô.

Enurese noturna: o famoso "xixi na cama" após os 5 anos, que muitas vezes tem fundo genético e não deve ser punido.

Problemas de saúde ocultos: enurese e constipação

A Marieli faz um apelo importante: nunca castigue a criança por escapes. Castigos e ameaças geram traumas que podem perdurar até a adolescência.

Muitas vezes, o que parece "manha" é um problema clínico, como:

Bexiga hiperativa: quando a bexiga "vence" a musculatura e o xixi escapa sem que a criança sinta.

Incontinência por transbordamento: a criança está tão constipada (com um fecaloma) que apenas um líquido escapa, parecendo diarreia, quando na verdade é um grande bloqueio de fezes.

Infecções de repetição: o resíduo de urina que não sai totalmente pode subir para os rins e causar infecções graves.

 

A "escolinha do xixi e do cocô": o tratamento lúdico

Na clínica Inticlin, o tratamento é feito através do brincar. A Dra. Marieli, carinhosamente chamada de "Tia Mari", utiliza uma abordagem pedagógica e amorosa:

1. Ludicidade: uso de massinhas para mostrar como o cocô sai, bolhas de sabão para ajudar no relaxamento anorretal e desenhos para explicar o caminho dos órgãos.

2. Tecnologia: uso de biofeedback, eletroestimulação e neuromodulação para treinar os músculos de forma indolor.

3. Adaptação do ambiente: orientações para que o banheiro de casa seja convidativo e seguro (assentos firmes, apoios para os pés e ambiente iluminado).

"O vaso sanitário precisa conquistar a criança, pois o que ela mais gosta é da fralda. Precisamos mostrar que o banheiro é um lugar de autonomia e não de medo", pontua Marieli.

 

Dica de ouro para os pais

Se o seu filho está retendo o cocô, tente brincadeiras que envolvam soprar (apitos, bolhas, cantar). Isso ajuda a relaxar a musculatura pélvica e facilita a evacuação de forma natural.

 

Quer saber mais? Clique no link abaixo e assista à entrevista na íntegra realizada com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano.

 

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