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Medicina

Incontinência urinária e fecal: quando o corpo pede ajuda e o silêncio atrapalha o tratamento

Cercada por tabus, a perda involuntária de urina e fezes interfere na rotina, na vida íntima e no bem-estar, mas tem tratamento eficaz.

Tubarão-SC, 30/12/2025 10h28 | Atualizada em 30/12/2025 10h35 | Por: Jornalista Francine Germano de Andrade | Fonte: fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano
A fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano, da clínica Inticlin, destaca que a incontinência urinária e fecal é comum, tem tratamento e não deve ser tratada com silêncio ou vergonha.

A perda involuntária de urina, fezes ou até mesmo de gases ainda é um tema cercado de tabus, vergonha e desinformação. No entanto, trata-se de uma condição mais comum do que se imagina e que pode afetar pessoas de diferentes idades, gêneros e fases da vida. Para esclarecer o assunto, conversamos com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano, da clínica Inticlin, que explica as causas, os impactos e os caminhos para o tratamento da incontinência.

O que é incontinência urinária e fecal?

A própria palavra “incontinência” já indica a dificuldade de contenção. A incontinência urinária ocorre quando há escape involuntário de urina, enquanto a incontinência fecal está relacionada à perda do controle das fezes. Há ainda a incontinência de gases, que muitas vezes surge como um sinal inicial do enfraquecimento da musculatura responsável pela continência.

Segundo a especialista, nem sempre esses tipos de incontinência aparecem juntos. “Há pessoas que perdem urina, mas têm o intestino preso. Outras apresentam escape de fezes sem perda urinária. Em alguns casos, os dois acontecem simultaneamente”, explica Marieli.

Quem é mais afetado?

Embora possa atingir homens, mulheres e crianças, a incontinência é mais frequente entre as mulheres. Entre os fatores de risco estão:

• Gravidez e pós-parto (parto normal ou cesárea);

• Cirurgias pélvicas; • Envelhecimento e menopausa;

• Distúrbios hormonais e metabólicos;

• Diabetes;

• Emagrecimento rápido ou sem acompanhamento adequado.

A fisioterapeuta destaca que processos de perda de peso, especialmente após cirurgias bariátricas ou dietas restritivas, podem levar à perda de massa muscular — incluindo os músculos do assoalho pélvico, responsáveis por sustentar a bexiga, o intestino e outros órgãos.

Vergonha, tabu e impacto na vida íntima

A vergonha é um dos maiores obstáculos para o diagnóstico e tratamento. Muitas mulheres associam a perda urinária à sensação de envelhecimento, frouxidão ou falta de higiene, o que pode levar à restrição social e emocional. “Algumas deixam de usar certas roupas, evitam sair de casa ou até se afastam do parceiro por medo de vazamentos durante a relação sexual”, relata Marieli.

Durante o ato sexual, é possível que a mulher sinta vontade súbita de urinar ou até apresente escapes. Nem sempre isso significa que há urina na bexiga, mas pode estar relacionado a uma bexiga hiperativa ou à falta de coordenação da musculatura pélvica.

Incontinência também atinge crianças

Embora menos comentada, a incontinência urinária infantil existe e precisa de atenção. Crianças acima dos cinco anos que continuam apresentando escapes devem ser avaliadas. “Mesmo sendo músculos jovens, eles podem estar debilitados ou mal coordenados, e isso tem tratamento”, afirma a fisioterapeuta.

Quando procurar ajuda?

O alerta surge quando os escapes se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, no sono, nas viagens, no trabalho ou na vida sexual. A necessidade constante de ir ao banheiro, o medo de vazamentos e a dependência de absorventes e fraldas são sinais claros de que é hora de buscar ajuda profissional.

O primeiro contato pode ser com ginecologista, urologista ou clínico, mas a fisioterapia pélvica tem papel fundamental no tratamento, pois avalia o corpo de forma integrada.

Avaliação e exames

Para identificar a causa da incontinência, podem ser solicitados exames como:

• Ultrassom das vias urinárias;

• Estudos dinâmicos da bexiga;

• Avaliação do resíduo urinário pós-micção;

• Em alguns casos, ressonância magnética.

Esses exames ajudam a entender se há falha no esvaziamento da bexiga, excesso de pressão ou alteração estrutural.

Emoções, estresse e o assoalho pélvico

O estado emocional também influencia diretamente o funcionamento da bexiga e do intestino. Situações de estresse, ansiedade, medo ou até risadas intensas podem desencadear escapes. “O corpo reage às emoções. Em fases difíceis, é comum sentir que tudo fica mais ‘frouxo’”, explica Marieli.

O papel da fisioterapia pélvica

O tratamento envolve muito mais do que apenas “contrair e relaxar”. A fisioterapia pélvica trabalha força, coordenação, consciência corporal, respiração, postura e musculatura abdominal. Em alguns casos, o problema não é fraqueza, mas excesso de tensão, que também pode causar escapes.

Os exercícios são personalizados e podem ser realizados tanto na clínica quanto em casa, sempre com orientação profissional. “Cada paciente é único. Às vezes, melhorar o funcionamento do intestino resolve a incontinência urinária”, destaca a fisioterapeuta.

Resultados e tempo de tratamento

Quando o paciente segue corretamente as orientações, os resultados costumam aparecer rapidamente. Em média, cerca de 10 sessões já promovem uma melhora de 60% a 70%. No entanto, fatores emocionais, hormonais, oncológicos ou situações de luto podem interferir no tempo de resposta, exigindo um cuidado multidisciplinar.

É importante destacar.

O uso constante de absorventes, fraldas ou panos pode aumentar o risco de infecções, fungos e irritações, além de impactar financeiramente e emocionalmente. “Se já está escapando e incomodando, procure ajuda o quanto antes. A incontinência não costuma melhorar sozinha e tende a piorar com o tempo”, alerta Marieli Graciano.

Falar sobre o tema é o primeiro passo para quebrar o tabu, recuperar a qualidade de vida e entender que perder urina ou fezes não é normal — e, principalmente, tem tratamento.

Quer saber mais? Clique no link abaixo e assista à entrevista na íntegra realizada com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano.

 

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