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Medicina

Mounjaro: o medicamento que transformou o tratamento da obesidade e os riscos do uso sem orientação médica

Endocrinologista explica como funciona a tirzepatida, para quem ela é indicada e por que o acompanhamento profissional é essencial para um emagrecimento seguro e duradouro

Tubarão-SC, 17/12/2025 09h13 | Atualizada em 30/12/2025 10h36 | Por: Jornalista Francine Germano de Andrade | Fonte: Dr. Alexandre Rosendo Endocrinologista CRM-SC 9265 RQE 3816/3817.
Dr. Alexandre alerta que o uso sem acompanhamento pode trazer consequências importantes.

O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, ganhou destaque nos últimos anos. Entre eles, o Mounjaro (tirzepatida) tem chamado a atenção por seus resultados expressivos na perda de peso. Mas, junto com a popularidade, surgem dúvidas, uso inadequado e riscos à saúde.

Para esclarecer o tema, o endocrinologista Dr. Alexandre Rosendo, formado pela USP, professor universitário por 20 anos e um dos responsáveis pela criação do curso de Medicina em Tubarão (SC), explica como o medicamento funciona, para quem é indicado e quais cuidados são indispensáveis.

O que é o Mounjaro e por que ele ficou tão conhecido?

O Mounjaro pertence à classe dos análogos de GLP-1, medicamentos que imitam hormônios produzidos naturalmente pelo corpo e que atuam no controle da glicose e da saciedade. Segundo o Dr. Alexandre, essa classe revolucionou o tratamento da obesidade.

“Durante muitos anos, a obesidade era tratada com medicamentos pouco eficazes e cheios de efeitos colaterais. Com os análogos de GLP-1, tudo mudou”, explica.

O diferencial do Mounjaro é que ele atua em dois hormônios: GLP-1 e GIP, ambos ligados ao controle do açúcar no sangue, do apetite e do metabolismo da gordura. Isso explica sua eficácia tanto no tratamento do diabetes quanto da obesidade e do risco cardiovascular.

Mounjaro x Ozempic: existe muita diferença?

De forma geral, os dois medicamentos têm mecanismos semelhantes. Ambos reduzem o apetite e diminuem o prazer associado à alimentação. “Eles não apenas fazem a pessoa comer menos, mas reduzem a sensação de recompensa ao comer”, afirma o endocrinologista. A principal diferença está na tolerabilidade. O Ozempic (semaglutida) pode causar mais enjoo em alguns pacientes. Já o Mounjaro tende a provocar menos náuseas, permitindo o uso por mais tempo e em doses mais elevadas, o que é importante em casos de obesidade mais grave.

O maior risco está no uso sem orientação médica Apesar de serem considerados medicamentos seguros, o Dr. Alexandre alerta que o uso sem acompanhamento pode trazer consequências importantes.

“Quando a pessoa perde peso sem orientação adequada, ela pode perder não só gordura, mas também massa muscular, energia e vitalidade”, explica.

Entre os problemas mais observados estão:

  • perda de massa muscular (sarcopenia);
  • flacidez corporal e facial;
  • fraqueza, dores articulares e musculares;
  • tendinites, bursites e problemas de coluna;
  • alterações emocionais, como desânimo e depressão.

“O emagrecimento precisa ser saudável. Caso contrário, a pessoa emagrece, mas adoece”, alerta.

Existem contraindicações?

Sim. Embora sejam seguros, esses medicamentos não são indicados para todas as pessoas. Entre as principais contraindicações estão:

  • histórico de câncer medular de tireoide;
  • pancreatite; • consumo frequente de álcool;
  • algumas condições clínicas específicas, como em pacientes transplantados.

O médico também chama a atenção para o consumo de bebidas alcoólicas. “Há estudos que indicam maior risco de pancreatite em pessoas que usam essa classe de medicamentos e mantêm consumo frequente de álcool.”

Não é um remédio para quem não quer mudar hábitos.

No consultório, Dr. Alexandre deixa claro que o medicamento não substitui mudanças no estilo de vida.

“Se a pessoa não está disposta a reduzir o consumo de álcool, praticar atividade física e ajustar a alimentação, ela não está pronta para usar esse tipo de medicamento”, afirma.

Segundo ele, o Mounjaro é uma ferramenta poderosa, mas precisa estar associada a acompanhamento médico, nutricional e à prática regular de exercícios.

Por quanto tempo o Mounjaro deve ser usado?

A obesidade é uma doença crônica, assim como a hipertensão. Por isso, o tempo de tratamento varia de pessoa para pessoa.

Alguns pacientes conseguem usar o medicamento por alguns meses, emagrecer e manter o peso apenas com hábitos saudáveis. Outros precisarão de doses de manutenção por tempo prolongado — em alguns casos, por toda a vida.

“A interrupção do medicamento deve ser gradual e individualizada. Não existe fórmula pronta”, explica o endocrinologista.

A relação emocional com a comida precisa ser avaliada

Nem todo paciente é um bom candidato ao uso do Mounjaro. O médico alerta para os casos em que a comida é o principal suporte emocional da pessoa. “Se o único prazer da pessoa é comer, retirar isso sem preparo emocional pode causar um sofrimento psíquico importante”, diz. Por isso, entender a relação emocional com a comida é parte essencial da avaliação médica.

O futuro dos medicamentos para obesidade

A tendência, segundo o Dr. Alexandre, é que essa classe de medicamentos se torne cada vez mais acessível, com novas opções chegando ao mercado. “São medicamentos eficazes e seguros, mas não são uma solução mágica. O maior erro é usá-los sem indicação ou com profissionais que não conhecem profundamente o tratamento”, ressalta.

Alerta final

O Mounjaro e outros medicamentos da mesma classe ajudam a corrigir alterações hormonais e metabólicas da obesidade, mas não resolvem sozinhos o estilo de vida, os hábitos e os fatores emocionais. “Se você está pronto para emagrecer de forma consciente, procure um profissional experiente. O sucesso está no tratamento individualizado e bem acompanhado”, conclui o endocrinologista.

 

Importante: este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica individualizada.

Quer saber mais? Clique no link abaixo e assista à entrevista na íntegra realizada com Dr. Alexandre Rosendo.

 

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