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Medicina

Prolapso de órgãos pélvicos afeta mulheres e homens e pode evoluir sem sintomas

Condição silenciosa está ligada à fraqueza do assoalho pélvico e pode exigir cirurgia se não for tratada a tempo

Tubarão-SC, 11/02/2026 18h40 | Por: Jornalista Francine Germano de Andrade | Fonte: fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano
Segundo a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano, fortalecer o assoalho pélvico é essencial para prevenir prolapsos e promover mais qualidade de vida e bem-estar.

O prolapso de órgãos pélvicos é uma condição mais comum do que se imagina e ainda pouco discutida. Muitas pessoas percebem alterações na região íntima, como sensação de peso ou a presença de um volume, mas não sabem identificar o problema. Segundo a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano, da clínica Inticlin, o desconhecimento faz com que o diagnóstico seja tardio, aumentando o risco de agravamento.

O que é o prolapso de órgãos pélvicos

O prolapso ocorre quando há perda de sustentação do assoalho pélvico, estrutura muscular responsável por manter os órgãos da pelve em posição adequada. Diferente do que se imagina, não é o órgão que sai para fora, mas sim a parede vaginal que é empurrada, dando a sensação de que algo está “caindo”.

Nas mulheres, o prolapso pode envolver a bexiga, o útero, o intestino ou a uretra, cada um com características específicas. Nos homens, embora seja menos frequente, pode ocorrer o prolapso do reto, perceptível pelo canal anal.

Problema pode evoluir sem dor Um dos principais desafios do prolapso é o fato de que, em muitos casos, ele não causa dor nem sintomas imediatos. “A pessoa pode conviver por muito tempo com o prolapso sem perceber a gravidade. O risco é que ele vá evoluindo de grau até se tornar um caso cirúrgico”, explica Marieli.

Principais causas do prolapso

A fisioterapeuta aponta que a principal causa está relacionada à frouxidão da musculatura íntima. Entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento do prolapso estão:

• Gestações e partos vaginais;

• Obesidade e sobrecarga abdominal;

• Atividades físicas de impacto, como corrida e saltos;

• Levantamento excessivo de peso;

• Permanecer longos períodos em pé ou sentado;

• Prisão de ventre e esforço evacuatório;

• Menopausa, estresse e sedentarismo.

Além disso, mulheres possuem maior predisposição por terem o canal vaginal, o que torna essa região mais vulnerável à descida dos órgãos.

Relação sexual também influencia

De acordo com a especialista, a vida sexual ativa, quando prazerosa e associada ao fortalecimento do assoalho pélvico, pode ajudar na prevenção do prolapso. As contrações musculares estimuladas durante o orgasmo e a penetração favorecem a sustentação dos órgãos.

Gestações múltiplas aumentam o risco

Embora a genética tenha influência, o estilo de vida atual também contribui para o aumento dos casos. “Hoje vemos mulheres mais cansadas, com menos força muscular, mais estresse e ganho de peso. Quando o corpo todo está fraco, a musculatura íntima também está”, afirma Marieli.

Ela destaca que procedimentos cirúrgicos, quando realizados sem reeducação muscular e mudança de hábitos, podem falhar. “Se a paciente continua fazendo força para evacuar ou sobrecarregando o assoalho pélvico, o prolapso pode retornar.”

Fisioterapia pélvica é aliada no tratamento

A fisioterapia pélvica tem papel fundamental no tratamento e na prevenção, mas sua eficácia depende do grau do prolapso. Em casos leves, o fortalecimento muscular pode estabilizar o quadro e evitar a progressão.

Em prolapsos mais avançados, a fisioterapia costuma ser associada a outros recursos, como o uso de pessários — dispositivos colocados no canal vaginal para sustentar os órgãos — ou à cirurgia, especialmente em pacientes que não podem ser submetidas a procedimentos cirúrgicos.

Prolapso pode ocorrer no pós-parto

O problema também pode surgir de forma temporária no pós-parto, devido à sobrecarga da gestação, à amamentação e ao peso do bebê no colo. Nesses casos, o repouso e a reabilitação adequada ajudam na recuperação.

Sinais de alerta

Os principais sinais que indicam a necessidade de avaliação profissional incluem:

• Sensação de peso ou pressão na região íntima;

• Presença de volume ou saliência ao se lavar;

• Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;

• Desconforto durante a relação sexual;

• Escape urinário durante exercícios;

• Saída de mucosa pelo ânus ao fazer força.

O desconforto é o sintoma mais comum e muitas vezes é confundido com infecção urinária ou outras condições.

Diagnóstico envolve exame clínico e de imagem

O diagnóstico do prolapso é feito por meio de exame físico, avaliação clínica e exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética. A avaliação em pé, com tosse ou agachamento, costuma ser mais eficaz do que exames realizados deitada, já que a gravidade influencia diretamente o deslocamento dos órgãos.

Homens também podem ter prolapso

Embora menos comum, homens com prisão de ventre crônica e esforço excessivo para evacuar podem desenvolver prolapso do reto. Em academias, o risco está mais relacionado a lesões musculares, mas a atenção ao assoalho pélvico também é importante.

Prevenção é o melhor caminho

A recomendação da especialista é clara: fortalecer o assoalho pélvico, manter hábitos saudáveis, cuidar da postura, evitar esforços excessivos e tratar alterações intestinais são medidas essenciais para prevenir o prolapso.

“O cuidado com a musculatura íntima melhora a qualidade de vida, a sexualidade e reduz o risco de prolapsos ao longo do tempo”, conclui Marieli Graciano.

 

Quer saber mais? Clique no link abaixo e assista à entrevista na íntegra realizada com a fisioterapeuta pélvica Marieli Graciano.

 

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