Entenda como funcionam a fixação muscular e a lipoenxertia, alternativas que priorizam a harmonia e o contorno natural em cada fase da vida.
Contorno natural: a cirurgiã plástica Dra. Júlia Soares destaca a importância do planejamento e do alinhamento de expectativas. A busca pela harmonia corporal e pela recuperação da autoestima tem levado um número cada vez maior de mulheres aos consultórios de cirurgia plástica. No entanto, um movimento que vem ganhando força é o desejo por resultados mais naturais e a decisão de muitas pacientes de conquistar seios firmes e empinados sem o uso de próteses de silicone.
Para entender as reais possibilidades, as técnicas disponíveis e o que esperar dos procedimentos, conversamos com a cirurgiã plástica Dra. Júlia Soares, que desmistificou o contorno corporal livre de implantes artificiais e explicou como a medicina atual se adapta aos diferentes ciclos da vida feminina.
O desejo do colo desenhado, versos em formato natural.
Uma das principais dúvidas das mulheres é se é possível obter sustentação sem o silicone. A resposta da Dra. Júlia é positiva, mas vem acompanhada de um importante alinhamento de expectativas sobre a consistência e a evolução da mama.
"É possível ter os seios empinados, mas o ponto principal é entender o que as pacientes idealizam. O tecido mamário é mais mole e vem associado à gordura. O que realmente deixa a mama rígida é a prótese de silicone, por ser uma estrutura concentrada e arredondada", explica a especialista.
Na cirurgia realizada exclusivamente com o próprio tecido da paciente, o resultado tende a evoluir para o formato anatômico natural ao longo do tempo: um terço do volume na parte superior (colo) e dois terços na parte inferior. Mesmo que a mama seja montada de forma bem redonda no pós-operatório imediato, a tendência natural é que o polo superior baixe levemente e o polo inferior ganhe mais volume com os meses.
Prótese interna: a solução com o próprio tecido.
Para as mulheres que passaram pela maternidade, sofrem com a flacidez e a sobra de pele, ou mesmo para aquelas que apresentam restrições e alergias ao silicone, a cirurgia plástica dispõe de técnicas avançadas de reestruturação.
A Dra. Júlia Soares destaca o uso de uma técnica que utiliza o próprio tecido da paciente para criar sustentação: • Fixação muscular: boa parte do tecido mamário existente é fixada diretamente na musculatura.
• Estruturação superior: a mama é remodelada e estruturada por cima dessa base.
• Efeito "prótese interna": cria-se um volume interno feito do próprio corpo. O benefício prático é que, ao deitar-se, o seio não fica totalmente espalhado, mantendo mais tecido concentrado no centro.
A médica ressalta que, em pacientes jovens, que possuem mamas pendulares (caídas), mas com grande quantidade de glândula (tecido firme), o resultado dessa estruturação pode simular muito bem o efeito visual de um implante. No entanto, a maioria dos casos exige uma avaliação minuciosa da anatomia inicial.
O papel da enxertia de gordura: mitos e limites.
Outra alternativa que costuma despertar a curiosidade das mulheres é a lipoenxertia mamária, técnica que utiliza a gordura retirada de regiões como o abdômen, a parte interna das coxas ou dos joelhos para projetar e desenhar os seios. Segundo a cirurgiã, o procedimento é excelente e oferece resultados muito refinados, mas possui indicações precisas e não deve ser encarado como um substituto direto do silicone para grandes aumentos de volume.
A Dra. Júlia alerta que existe um limite biológico para o enxerto: a gordura injetada precisa se integrar ao tecido local para sobreviver. Se colocada em excesso, ela não recebe o suprimento sanguíneo adequado, o que pode evoluir para o acúmulo de líquidos, conhecido como seroma, ou para uma necrose gordurosa — que ocorre quando a gordura se desfaz e o próprio organismo a isola em forma de uma cápsula endurecida. Além disso, o corpo naturalmente absorve uma parte do volume nos primeiros meses, e o resultado final só estabiliza após cerca de 90 dias.
Atualmente, a principal função da enxertia de gordura nas mamas é atuar como um refinamento anatômico. Ela é amplamente indicada para desenhar o contorno do colo, proporcionando um acabamento mais suave, e em cirurgias de reconstrução mamária para disfarçar as bordas do implante quando sobrou pouco tecido natural. A técnica também é a principal aliada no tratamento do rippling, que são aquelas ondulações visíveis na pele que ocorrem quando a paciente tem uma cobertura de tecido muito fina sobre a prótese. O grande desafio nesses casos, pondera a médica, é que muitas dessas pacientes são muito magras e mal possuem áreas doadoras de gordura suficientes para realizar o preenchimento.
A era do explante e a mudança de comportamento.
Estamos vivenciando um novo ciclo na cirurgia plástica. Após a era das "superpróteses", os consultórios registram uma busca crescente pelo explante de silicone (remoção definitiva dos implantes) e por suspensões puras (mastopexia), especialmente em mulheres acima dos 40 ou 50 anos. O principal motivo é o receio de futuras cirurgias de troca e o desejo por mais leveza.
Para quem deseja retirar o silicone, a Dra. Júlia faz um alerta importante sobre o pós-explante:
• Pacientes com tecido nativo: quem já tinha seios volumosos antes de colocar o silicone consegue um excelente resultado apenas remodelando o tecido restante, mantendo uma curvatura natural e suave.
• Pacientes com pouco tecido: quem não tinha quase nada de glândula antes do implante deve estar ciente de que as mamas ficarão bem pequenas.
"A paciente precisa estar consciente. Gosto de mostrar fotos de casos semelhantes para que ela avalie se vai se aceitar. Mas o que vejo são mulheres que cansaram da prótese, viveram aquela fase e agora estão muito satisfeitas com o formato menor. Tudo são ciclos da vida", afirma.
Cuidados e longevidade do resultado.
No pós-operatório, os cuidados entre colocar silicone ou fazer uma cirurgia apenas com os próprios tecidos são semelhantes, focando na restrição de exercícios para proteger a cicatrização.
E sobre o famoso mito do sutiã? A Dra. Júlia confirma que ele é um aliado real. A gravidade atua continuamente: quanto maior e mais pesada a mama, maior a chance de queda ao longo dos anos. A cirurgia fixa a aréola e a mama na posição correta, mas o polo inferior pode ceder levemente com o tempo. O uso do sutiã oferece a sustentação necessária para prolongar o formato conquistado, embora muitas pacientes que realizam a redução mamária celebrem a liberdade de não utilizá-lo mais no dia a dia.
O passo fundamental.
Para as mulheres que estão em dúvida sobre qual caminho seguir, a mensagem final da especialista é direta: planejamento e diálogo. "O passo fundamental é consultar um cirurgião plástico de confiança e alinhar as expectativas. Muitas chegam desejando mamas duras, redondas e supergênicas sem prótese, o que a anatomia não permite entregar. A consulta franca e o planejamento individualizado são as partes mais importantes de todo o processo", finaliza a Dra. Júlia Soares.
Quer saber mais? Clique no link abaixo e assista à entrevista na íntegra realizada com Dra. Júlia Soares cirurgiã plástica.